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Niterói não quer cinema!!!

junho 16, 2010

O Brasil possui 5.565 municípios e, arredondando, somente em 440 (8%) existem salas de exibição. São, aproximadamente, 2.160 salas para 190 milhões de brasileiros e, em termos de pontos de cinema, a coisa é pior, são apenas 815.
A título de comparação, no país existem mais de 60 mil pontos de farmácias. Costumo dizer que se tivéssemos mais cinemas, provavelmente teríamos menos fasrmácias. Cinema é sinônimo de qualidade de vida, pelo menos deveria sert tratado assim.
O porquê desse relato: os 4 anos de Ponto Cine. Um projeto vitorioso que pode ser uma alternativa a esse cenário, que, ainda por cima, insiste em manter os filmes brasileiros como estrangeiros no nosso país.
O Ponto Cine é a Primeira Sala Popular de Cinema Digital do Brasil. É a maior exibidora de filmes brasileiros em todo o território nacional, em número de títulos, de sessões e de permanência em cartaz.
Foi premiada pela Agência Nacional de Cinema em 2007, 2008 e 2009, com o Prêmio Adicional de Renda. Ano passado recebeu também o PAR instituído pela Secretaria de Estado de Cultura e o “Faz Diferença”, do Jornal O Globo, pelos serviços prestados de formação e democratização do acesso ao cinema brasileiro, em 2008. Hoje, proporcionalmente, tem a maior taxa de ocupação dos cinemas.
Porém, mais que isso, o Ponto Cine mexeu com a autoestima dos moradores de Guadalupe, subúrbio do Rio. O bairro saltou das páginas policiais para os Cadernos de Cultura dos mais importantes Jornais, Revistas e TVs. O Ponto Cine provocou uma revitalização urbana no seu entorno e virou moda no comércio local, não é difícil ver um Ponto X-Lanche, Ponto Pet, Ponto Saúde e outros.
Como modelo de negócio, o Ponto Cine conjuga o comercial e o social. O primeiro cria condições para bancar o segundo.O segundo, o social, é condição primordial para a sustentação futura do primeiro, o comercial, pois trata, especialmente, da formação de plateia. Resumindo: assim como uma padaria não vende somente pão, este, em muitos casos, é o mínimo, o Ponto Cine não vende só ingressos e, sim, bilhetes, pipoca e ideias (projetos), principalmente aquelas que influenciam na qualidade de vida.
Em Niterói existem apenas 3.275 poltronas de cinema para quase meio milhão de habitantes. Mais precisamente um assento para cada grupo de 146 niteroienses, o equivalente a 4,5 turmas de escolas para cada lugar. Comparada com o restante do Brasil pode até se considerar uma cidade privilegiada. Porém, sofre do mesmo oligopólio promovido pelas distribuidoras americanas: em Niterói o filme brasileiro também é tratado como estrangeiro, não tem espaço em suas telas.
O que fazer para mudar isso? – Um Ponto Cine. Aliás, não é falta de vontade e empenho, inclusive iniciamos uma empreitada na antiga Estação dos Bondes, hoje Espaço Cultural Antônio Callado. Lá existem duas salas semi-prontas, só esperando acabamento. Espaço para cinema, livraria, biblioteca e café, mas a negociação entre o Supermercado Guanabara e o Ponto Cine foi interrompida. Havia um terceiro nessa relação, uma espécie de vilão, que pôs tudo por água a baixo.
Mas para nós esse filme não acabou, está só arrastado, esperando uma virada. As salas estão lá, intocáveis. O coração endurecido dos proprietários do espaço não amolece. Contra nós disparam aluguéis estratosféricos. Está na hora de entrar um novo personagem nessa história: a Prefeitura, a Ancine, o BNDES ou a população.
Não há cenas dos próximos capítulos. Enquanto o Brasil clama por salas de cinema, Niterói está dispensando duas.

Adailton Medeiros

Artigo publicado domingo, 30/05, na Revista do Jornal O Fluminense, na coluna Espaço Aberto (http://jornal.ofluminense.com.br/coluna/espaco-aberto) sob o título “Arroz, Feijão e Cinema”.
Queremos reverter esse quadro e contamos com a sua ajuda. Envie sua opinião, seu protesto, sua solidariedade a nossa iniciativa para os endereços: redacao@ofluminense.com.br; prefeitura@niteroi.rj.gov.br; contato@culturaniteroi.com.br; e também para o supermercado. Ainda há tempo. VIVA O CINEMA BRASILEIRO!

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3 Comentários leave one →
  1. junho 17, 2010 8:08 pm

    Saudações Adailton, Ponto Cine!Parabéns por retomarem as atividades do Blog. Sinto que estou passando por algo parecido, com meu projeto de restauração do prédio do antigo Cine São Paulo, na minha cidade natal, Santa Adélia – SP. A Prefeitura não faz a menor questão, diz apenas que o projeto não seria viável para o momento e coisas assim… Lamentavel! Torço para que obtenham sucesso nesse caso do Ponto Cine em Niterói. Espero, realmente, que algum orgão competente se manifeste em vosso favor, e a população agradece! Enviarei e-mail manifestando apoio. Deus abençoe. Abraços

  2. junho 17, 2010 8:52 pm

    É uma iniciativa corajosa e muito louvável, essa movimentação coloca todos nós, moradores da zona norte e suburbanos em evidência no cenário cultural do Rio de janeiro o ano inteiro e não somente em época da campanha eleitoral. Levantando a moral e a alta estima dos moradores dessa parte da cidade. Vocês estão de parabéns!Um abraço.VIVA AO PONTO CINE.Ricardo Alves

  3. agosto 9, 2010 9:15 pm

    O Cine Arte Bangu também está lá só esperando um projeto pra fazê-lo voltar a ativa. Assisti naquele cinema muitos filmes que só passaram nas salas do Grupo Estação. Encontrei um blog falando sobre a inauguração (caso não conheça o lugar) http://focosdiversos.blogspot.com/2007/06/cine-arte-bangu.htmlSeria ótimo ter um Ponto Cine lá.Abraços e parabéns pelo grande espaço que o cinema nacional está tendo em Guadalupe.

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